segunda-feira, 23 de julho de 2012

O sistema imune

Quando falamos sobre a saúde das aves, tenho o costume de utilizar com freqüência aquele ditado que todos já ouviram: "É melhor prevenir do que remediar ". Realmente, dependendo do que sua ave acabar contraindo por falta de cuidados no manejo, o tratamento poderá se tornar problemático, inclusive interferindo de maneira negativa no treino da ave já recuperada devido a situações de estresse as quais ela foi submetida neste meio tempo.
Em aves, o que é primordial para prevenir o surgimento de doenças? A manutenção do sistema imunológico. E como conseguimos isso? Manejo alimentar. Quando digo manejo alimentar, me refiro realmente a uma atenção muito especial à alimentação de sua ave, pois como já foi exposto em artigos anteriores, o controle de peso (volto a lembrar, não é redução do peso) se torna essencial para uma prática eficiente. Este controle, quando efetuado de forma incorreta, reflete na má nutrição do animal e consequentemente redução da imunidade.
Para os que gostam da ”parte chata” da coisa, vou escrever um pouco sobre o sistema imune visto de maneira fisiológica e anatômica.

Apesar de serem estruturas que se encontram muito próximas em todos os tecidos do corpo da ave, a origem embrionária do sistema imune é diferente da origem embrionária do sistema circulatório. O sistema imunológico nos vertebrados é dividido em duas partes estrutural e funcionalmente distintas. O sistema celular bursa equivalente, responsável pela produção de anticorpos específicos e o sistema celular timo equivalente, responsável pela hipersensibilidade retardada e citotoxidade celular.
A estrutura e distribuição do tecido linfóide nas aves diferem marcadamente dos mamíferos. Grandes diferenças são a ausência de linfonodos, na maioria das espécies de aves, e a anatomia do timo que, nas aves, consiste de diversos lobos localizados separadamente ao longo do pescoço. As aves também se caracterizam por possuir a glândula de Harder, que é uma concentração de tecido linfóide na região oculonasal. As placas de Peyer no intestino são importantes, pois é no trato digestivo que encontramos o maior número de antígenos. A organização do tecido linfóide intestinal também difere entre as aves e mamíferos e as aves possuem, ainda, um órgão linfóide especial, a bolsa de Fabrício, onde ocorre o desenvolvimento e diferenciação dos linfócitos tipo B. Entretanto, não há razão para se supor que as aves difiram dos mamíferos quanto à resposta imunitária. Tanto nas aves quanto nos mamíferos, o desenvolvimento da imunidade requer um processamento mínimo pela célula do hospedeiro.
Os antígenos chegam à intimidade do organismo animal por diferentes vias, especialmente por absorção através das mucosas respiratória e digestiva. Podem ainda penetrar através da pele, quando esta sofre solução de continuidade (erro de manejo nos poleiros, por exemplo) ou inoculação. Na aves, a bolsa de Fabrício é importante via de penetração dos antígenos, onde são absorvidos através da mucosa e apresentados ao sistema imune.
Independentemente da porta de entrada, o antígeno é capturado por células mononucleares fagocitárias denominadas macrófagos. Uma parte dele é destruída pela célula fagocitária, sendo o restante levado pelo macrófago aos órgãos linfóides, principalmente o baço, e entregue às células produtoras de anticorpos. Estas células produtoras de anticorpos constituem as células principais da glândula de Harder, timo, baço, tonsilas cecais e bolsa de Fabrício.
Além destas estruturas anatomicamente definidas, existem numerosos folículos linfóides isolados dispersos pelo parênquima de vários órgãos e tecidos.
Anatômica e funcionalmente o sistema imune é organizado em órgãos linfóides primários e secundários. Órgãos linfóides primários fornecem o microambiente apropriado para a diferenciação de células imunocompetentes, enquanto que órgãos linfóides secundários são aqueles colonizados por células derivadas dos órgãos linfóides primários. Medula óssea, timo e bolsa de Fabrício são órgãos linfóides primários nas aves e estão envolvidos na diferenciação de células pluripotentes e imunocompetetes, dotadas de capacidade de reagir especificamente contra o antígeno pela produção de resposta imune celular ou hormonal.

Um comentário:

  1. Muito interessante o texto. Lidamos com aves de rapina. É interessante desenvolver um pensamento, levando em conta que a falta de higiene no manejo e alimentação pode acabar com a ave em poucos dias. Um sparverius traz consigo uma responsabilidade tremenda.

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